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Saturday, March 11, 2006

Virtual Realidade Parte 01

A mesa da sala de jantar estava repleta de minúsculos salgadinhos, bolos e outras iguarias para celebrar o aniversário da Rita.
A festa estava animada entre amigos e familiares e as vozes entusiasmadas indicavam que iam cantar os parabéns à Rita, que completava dezoito anos de idade. Era uma jovem bonita e tinha consciência disso. O vestido preto e justo revelava todas as curvas do seu corpo sensual. Pretendentes não lhe faltavam, mas todos tinham no olhar aquele brilho de cobiça.
A mãe aproximou -se dela e ofereceu-lhe um envelope, que a Rita abriu e gritou, feliz, quando viu o que estava lá dentro:
─ Obrigada querida mãezinha! Como adivinhaste? Assim já posso navegar pela Internet!
A mãe tinha-a presenteado com um computador.
─ E o meu beijo? ─ Rita agarrou-se ao pescoço da mãe e depositou nele dois beijos sonoros. ─ Parabéns minha querida!
─ Tu és a ternura e a doçura como a luz de um sol radiante que entrou na minha vida. Uma lágrima brotou nos olhos de ambas. Mãe e filha tinham uma relação muito profunda, estavam sempre presentes na vida de cada uma. A avó deu-lhe de presente um cordão em ouro, que tinha sido o seu falecido marido que lho tinha dado no dia do casamento. Os amigos ofereceram livros e CDs.
Finalmente, a festa decorreu num clima de muita animação e acabou numa discoteca.

Alta, de cabelo louro, olhos claros, rosto bem definido, sem uma ruga: assim se podia, em traços largos, definir Luísa a mãe da Rita. Luísa nos últimos meses trabalhava como freelancer, um emprego em que não cumpria horários nem tinha patrões.
Luísa era uma mulher solitária. Por vezes tinha uma necessidade grande de fazer novos amigos.
Aquele dia de Inverno, frio e nebuloso, fazia-a sentir-se ainda mais desmoralizada e só. Rita, tinha-lhe falado sobre o IRC, sítio onde podia falar com outras pessoas.
Luísa sentou-se em frente do monitor.”É agora ou nunca” pensou.
Digitou um nick, «Reine».

Enquanto a sua mente vagueava o ecrã cintilou e umas breves palavras começaram a aparecer. “ Ne me quitte pas” O seu coração disparou e sentiu um súbito calor de excitação. Esse foi o ponto de partida para uma animada conversa.
─ Comment?
«mds» sorriu:
« Je ferai un domaineOù l'amour sera roiOù l'amour sera loiOù tu seras reineNe me quitte pasNe me quitte pas »
─ Não conheces? Jacques Brel?
Reine respondeu:
─ Oui bien sur!
A conversa desenrolou-se em volta da música, acabando mds por lhe enviar várias músicas. Descobriram que o gosto pela música era algo que tinham em comum.
O humor da pessoa com o nick de mds era contagiante. Luísa sentiu-se liberta e alegre, de tal forma que nem deu pela passagem das horas.
Tiveram que parar, era muito tarde, mas combinaram continuar na noite seguinte.
Luísa nessa noite adormeceu a pensar no misterioso nick chamado mds.
No dia seguinte Luísa espera que o mds apareça no pequeno monitor. Passou uma hora e ele não aparece. “As lágrimas começaram a cair silenciosamente. Subitamente olhou para o ecrã e lá estava” Estás aí?”
─ Desculpa só agora cheguei!
Luísa ficou sem ar. Estava feliz.

Continua...

7 Comments:

Blogger Nilson Barcelli said...

Comecei a ler.
O iníco promete.
Gostei da prosa.

Beijinhos para a Isa e um abraço para o Luís.

1:10 pm  
Anonymous tb said...

e vou aqui fazer coro com o meu amigo Nilson, porque sim...
Beijinhos

7:46 pm  
Blogger lianasooo said...

Gostei muito do que li! acredito que ainda se vai tornar mais interessante, por isso força...

3:13 am  
Anonymous Anonymous said...

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4:19 am  
Anonymous Rui Teixeira said...

bom começo de historia com uma vida diária "contagiante" e um bocado triste , muito bem, gostei

5:23 pm  
Blogger lena said...

senti a falta do meu primeiro comentário, ainda não
assinava lena


vinha busca-lo, porque a saudade bateu, e, com saudades de não o ver mais fiquei

mas lembro-me desse aniversário. nesse dia ouvi Jacques Brel...

deixei um beijo à Rira e fui com o sabor de quer ter lido mais

estava feliz, uma caminhada iria começar...

caiu a lágrima hoje que aqui vim recordar e talvez com a nostalgia de não me encontrar. mas eu não era a lena

será que te lembras?

hoje é a lena que assina

beijinhos aos dois, Eduardo era o nome do meu pai!

lena

7:49 pm  

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